segunda-feira, 30 de maio de 2022

UE federalismo ou imperialismo

 O projecto da UE, nasce em 1943, no decorrer da II guerra mundial, e entra e vigor em 1960, como um acordo económico entre três países, Bélgica, Holanda e Luxemburgo, com o tratado da União Económica Benelux.

O tratado firmava entre os três assinantes, um acordo de livre comercio e extinção das barreiras alfandegarias, promovendo a paridade nas trocas comerciais, além do desenvolvimento conjunto de politicas produtivas e monetárias, com vista a estabilização das moedas do acordo.

Em 1951, ao Benelux juntam se a Alemanha Ocidental, França e Itália, e formaram a CECA, a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, através do Tratado de Paris, em 1965, através do Acordo de Bruxelas (acordo de fusão), a CEE ou Comunidade Económica Europeia, é formada pelos seis integrantes, e dá-se a fusão dos acordos Benelux e CECA, naquilo que é hoje a UE (2002).

O Tratado de Maastricht (1993) é o formal início da UE, e a ultima revisão da UE acontece com o Tratado de Lisboa (2009).

Na actualidade a UE conta com 27 países membros, mas será que lhes podemos dar o beneficio de serem chamados de Países?

O projecto inicial, é diferente do projecto actual, e não, não melhorou, a transição de CEE, enquanto Comunidade Económica, para a actual União Europeia, alterou completamente as suas ideias base, as ideias e os projectos que a CEE apregoava, hoje não se aplicam mais.

A CEE era uma federação de países, que acordaram cooperar no comercio e nas politicas económicas, dentro do que realmente importava, a cooperação de livre comercio, o fim dos encargos alfandegários, a livre circulação de bens e serviços intracomunitários, deixando a cada país membro, a responsabilidade de efectuar as suas próprias politicas extracomunitárias.

Em 1979, a CEE lançou o seu próprio sistema monetário, o ECU (quem não se lembra...), mas esta nova moeda, não existia (nunca existiu) no sentido material, não sendo projectada para a sociedade, servia o propósito de moeda do tratado, e isto consistia na vantagem da abolição do câmbio intracomunitário, já que o valor do ECU foi calculada na média das moedas da CEE, e não estava sujeito á flutuação cambial externa, estabilizando deste modo o mercado interno comunitário, o ECU era deste modo a moeda de comercio dos estados comunitários, e não moeda corrente de nenhum estado.

A CEE era realisticamente um acordo comercial, como o MERCOSUR, o NAFTA ou o BRICS, sendo o BRICS o mais recente, visava o complemento de mais valias e necessidades dos integrantes, ajustando a troca dessas mais valias por uns, e suprimindo as necessidades por outros, todos possuíam mais valias e necessidades, e deste modo se podiam complementar no espaço único, e com regras comuns.

A CEE era um espaço federalista, com federações (países) independentes politica e economicamente, mas que partilhavam um espaço (a Europa) e um mercado comum, ajustado politica e economicamente a todos.

O que mudou com a UE?

Na realidade tudo, a CEE e a UE, são projectos diametralmente opostos, ainda que se venda como a evolução da CEE, mas não se constitui na evolução, mas sim no assalto.

A UE, tornou se no CEO (chief executive officer) dos países associados, e tomou de assalto todos os poderes, económico, financeiro, produtivo, societário, a UE tornou-se no modelo Imperialista moderno.

Os 27 países membros da UE, abdicaram da soberania, a maioria abdicaram da moeda própria, e mergulharam na espiral de crédito, sob condição não controlada pelos estados, e onde isto se torna tão perigosa?

Uma das conditio sine qua non imposta aos países da UE, é o reconhecimento de facto dos poderes legislativos e executivos da UE, sob as soberanias próprias de cada membro, tornando o reconhecimento de facto em reconhecimento de jure.

O que era um simples mercado comum, passou a ser um governo omnipotente e omnipresente, não sendo no entanto eleito na forma democrática, a que a própria UE defende, o governo central da UE é eleito por indicação politica e não por sufrágio universal, facto que é contrário aos princípios da democracia.

A UE aboliu a soberania nacional, e introduziu a subjugação nacional, e isto faz toda a diferença nas sociedades, a inabilidade de constituir politicas internas e externas próprias, torna reféns os seus membros, torna inútil e obsoleto o voto nacional, pois independentemente do poder eleito interno por sufrágio, não existe soberania ou independência de facto, o que existe é uma subjugação ao poder instaurado na UE, a UE tornou se o imperialista que gere a seu bel-prazer o império conquistado, e o mantêm refém pelo poder e pela ameaça velada.

A abolição e substituição das moedas nacionais pelo euro, impossibilitou irremediavelmente (mas não eternamente) as politicas monetárias próprias de cada membro, o domínio da politica monetária, permitia a cada membro, consoante as necessidades, gerir o mercado interno, inflacionando ou deflacionando o valor cambial, procurando investimento estrangeiro ou tornando se um investidor no estrangeiro, não existindo politicas monetárias próprias, a não ser as da UE, o crédito é a nova politica monetária, e o consequente aumento da dívida pública.

Nos últimos 20 anos, assistimos a um aumento brutal das dívidas públicas na zona euro, mas não observamos a implementação de produção e industria, factos que, lançavam no futuro o retorno do investimento e a consequente redução das dívidas públicas, os empréstimos ou dívidas adquiridas, são na sua grande maioria destinadas ao Estado Social, que se inflaciona naturalmente, devido á não existência, ou fraca existência, do sector primário (producção) e secundário (transformação) da economia.

A UE é o prolongamento da revolução proporcionada pela II Guerra Mundial, a continuação do III Reich alemão, a supremacia politica, económica e financeira sobre a Europa, mas sem o conflito bélico, uma supremacia supranacional sob todas as nações do eixo.

A UE está falida, todos os seus membros são deficitários, vão se tornar deficitários, endividados e sem soluções, a UE não providencia soluções, imprime dinheiro, restringe o desenvolvimento produtivo e transformativo, aquilo que se iniciou como um mercado comum de produtos dos membros, hoje constitui-se como uma união de compradores compulsivos aos países externos, tornando a UE dependente da capacidade produtiva externa.

O império romano, como um dos modelos imperialistas da história, assentava na supremacia pela conquista, para o completo controlo dos bens transaccionavéis das nações que anexava, tornando se deste modo independente e não dependente dos produto externos, a UE inverteu toda essa dinâmica, aos membros é-lhes retirada as faculdades naturais, as politicas agrícolas são um desastre, as infraestruturas ruínas e as economias especulativas.

A crise de 2008 demonstrou claramente, que viver sob especulação custa milhões aos contribuintes, sem nenhum beneficio em troca, a pandemia (mais fraudulenta que pandémica) deixou bem explicito as ruínas em que se encontram os serviços públicos, e agora o conflito na europa de leste, demonstrativo da irrealidade que se vive na UE, problemas energéticos, problemas no sector alimentar, economias de rastos e inflações a subir vertiginosamente.

A UE é o castigo merecido imposto por sentença á sociedade europeia, e vamos cumprir a pena na integra, as penas judiciarias, têm como função o castigo pelo crime cometido e a expurgação do pecado pelo acolhimento do crime, uma função punitiva e pacificadora, mas não iremos expurgar este acolhimento, nem durante a sentença nem depois de cumprida, não somos cultos nem inteligentes para tanto.


Valter Marques


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sexta-feira, 27 de maio de 2022

A Europa e o globalismo, passado, presente e futuro.

 A Europa do séc. XX e XXI, é, como não podia de deixar de ser, diferente do séc. XIII, escolho este tempo (séc. XIII), em homenagem a Marco Polo, e a sua viagem através da rota da seda, e o importante marco histórico que descreveu.

Primeiro, o ocidente tem de voltar a estudar, o globalismo não nasce no fim do séc. XIX, é anterior, conta já com cerca de oitocentos anos, só como comparação, Portugal está á beira de concluir o primeiro milénio de existência.

O mercado global, e a própria globalização das sociedades inerentes, consolida-se, não nasce, no estabelecimento da "Rota da Seda", e a sua evolução natural, permanece até aos dias de hoje.

O termo "globalismo" ou sociedade global, é um termo moderno, estilizado e sobejamente abusado, pela sociedade moderna, induzindo o erro e a sobranceria da sociedade moderna, tomando para si, algo que, não o é, não se pode dizer que é roubo ou furto, não, é somente engano, ignorância e estupidificação das massas modernas.

O Globalismo é estabelecido pela faculdade dos povos comunicarem entre si, societariamente, comercialmente e até culturalmente, e isto vem a ser executado há séculos, com a rota da seda, as rotas inter e intra regionais, as rotas marítimas, os romanos, tinham o império globalizado, e não possuíam computadores, smartphones nem aviões...

Mesmo nas questões monetárias e financeiras, é um erro deduzir que o séc. XX e o Séc. XXI, implementaram novos caminhos, com as taxas cambiais, ou as balanças correntes entre nações, isso sempre existiu, as trocas comerciais medievais, chamemos -lhe assim, tinham valores mercantis intrínsecos, e dependiam, tal como hoje, da lei de mercado, a procura vs a oferta, existiam já nações (reinos, emirados, zonas tribais), com balanças correntes.

Há um pormenor que escapa ao ocidente moderno, e deveria ser bem considerado, a globalização até ao séc. XVIII, foi redigida e conduzida (como toda a sociedade avançada da época) pelos pergaminhos económicos do Islão, e a doutrina económica islamita, incluindo a moderna, é largamente diferente da nova economia, ou a economia emergente do séc. XIX, a doutrina económica ocidental, em uso no Ocidente actual, existem diferenças pertinentes, inultrapassáveis económica e moralmente, mas este especto fica para outro dia.

A globalização existe desde que o Homem venceu as barreiras da distancia, desde que o Homem descobriu que cambiando o seu producto natural com outros povos, que por sua vez têm interesse na aquisição de produtos que não possui forma de os produzir ou cultivar, beneficia ambos, abrindo caminho ao "livre comércio", ainda que livre seja somente designação, constitui a liberdade de comercio ajustado ás necessidades e termos negociados, taxas cambiais, lei de mercado, custos de transporte, tudo isto aconteceu antes do séc. XX e antes do Fórum Económico Mundial e demais organizações unilaterais se apoderarem indevidamente, do que era livre e auto regulado.

A globalização moderna é a evolução da tecnologia, dos meios e dos fins, iniciando se nas rotas terrestres, evoluindo para as rotas marítimas e para as rotas aéreas, a evolução foi tecnológica, evolui-se das caravelas até aos maiores cargueiros de hoje, dos dirigíveis aos super aviões a jacto, das carroças ás mais modernas linhas ferroviárias, 

Nem podemos associar ao séc. XX o aparecimento das bases logísticas internacionais, como exclusivo da inteligência desse período, nem do aparato financeiro e de seguros, tomemos como exemplo Veneza e o centro nevrálgico económico-financeiro da Europa do séc. XIV e seguintes.

Pelo que, a globalização do mundo moderno, no presente, além da viragem da política económica e financeira para a doutrina ocidental, mudou de forma perigosa as regras do "livre comércio", já não se constitui mais em "livre", mas sim um negócio privado.

Ás nações modernas, retiram se a naturalidade nata, quer de produção quer do comércio, nenhuma nação é hoje realisticamente livre para produzir, foram lhe estabelecidas quotas ou em certos casos, banidos do jogo, sancionados unilateralmente, Portugal por exemplo, foi lhe infligida uma quota na producção de leite, penalizando duramente os Açores, o maior produtor do País e um dos maiores da Europa, e isto têm consequências económicas e sociais, o mesmo se sucede com a Alemanha e a quota de producção de aços.

A globalização moderna, é somente, a estratificação de poderes, produtivos, e de comercio, consoante a vontade dos organismos unilaterais que o gerem, sob a batuta do Capital e Lucro, e da alienação de bens, não importa se a nossa valência é o leite, importa sim, canalizar o monopólio dos bens para uma entidade única, que controle e ordene, e para esse efeito, diversifica se, sob o manto do não monopólio.

O comércio é deste modo controlado e gerido, não por comerciantes ou industriais, mas por organismos unilaterais com interesses próprios, com regras impostas e controlados de forma asfixiante pelo Capital, que se constitui desde logo, uma inversão de posições, é a producção e a industria que produzem Capital , e não o Capital que produz industria e producção.

O sistema global moderno vai implodir, sustenta se sob o Capital e os Lucros futuros, e não será por falta de Capital (basta imprimir sob dívida), ou falta de Lucros correntes (novamente basta imprimir sob dívida), será pela falta do principal actor na equação, o Consumo.

Uma redução acentuada, moderada ou ligeira no Consumo, irá reflectir se acentuadamente, moderadamente ou de forma ligeira na producção e na industria, impactando directamente nos assuntos sociais, económicos e financeiros, reduzirá o Capital (diminuindo a capacidade de retorno de Capital), e restringido o Lucro (é ao lucro que se retira a falta que se apura no retorno do Capital), esta é, de uma forma muito simplicista, a forma e o método da globalização moderna, onde o interesse do Capital se sobrepõe ao interesse da sobrevivência, alienou se a soberania secular, á emancipação do Capital, a soberania do Capital sobrepor-se-á á soberania da Humanidade.

Pelo que o futuro, será a continuação endémica da sucessão de crises, financeiras, climáticas, virais, cibernéticas, muitos nomes e motivos, tudo com o mesmo fim, a preservação do Capital, nas crises financeiras, a sociedade liquida os desvaneios da grande finança, impõe se a redução de rendimentos para sustentar ruínas alheias, aplicam se taxas climáticas, reduzindo rendimentos, sob um pretexto inexistente, os problemas mantêm-se e agudizam se, pelo que iremos ter sucessivas crises, a pretexto do "bem comum" e é, mas do Capital não da sociedade.

Pelo que, a globalização moderna, conduz invariavelmente ao empobrecimento da sociedade.

Eu pessoalmente sou um adepto deste "modelo", e tenho de lhe tirar o chapéu, é brilhante, bem estruturado, e mortal, completamente super eficiente, é um modelo em que as sociedades se suicidam com um sorriso, que assistem impávidas ao seu empobrecimento geral (estados sociais, saúde, infraestruturas, tudo), e pedem mais deste modelo.

O modelo é desprezível, criminoso, mas quem o pensou (Rockfeller 1901), é uma mente brilhante.


Valter Marques




Um globo, dois mundos

 O planeta Terra, é um astro celeste, uno e indiviso por natureza, é bipolar porque tem dois polos, mas também é multipolar, porque além dos dois polos, tem uma linha divisória meridional, a linha do Equador, e uma linha longitudinal, se a primeira linha separa o norte do sul, a segunda separa o oeste do este.

O globo engloba deste modo, quatro quadrantes naturais, dispares e singelos, que naturalmente a evolução tem vindo a imiscuir num todo, traços de todos os quadrantes, aligeirando as diferenças culturais, genéticas e religiosas, mas sem capacidade de alterar a grande base natural inerente a cada um dos mesmos quadrantes, e consequentemente, sem a capacidade de alterar as grandes bases naturais próprias aos mesmos, o oriente norte, ou nordeste, continua na sua vivência própria dos asiáticos, ainda que possa conter irrelevantes excepções.

Estas singularidades que a natureza se apresenta, têm a particularidade da harmonia natural, do balanço, atrevo me a dizer até da racionalidade.

Diferente é o mundo humano multipolar, todas as zonas do globo contém microparticularidades nos Humanos que, além de habitarem nesses espaços terrestres, excepcionando-se os nativos, os restantes adoptam por maioria, os usos e costumes, e até a genética do local. 

Desde que existam dois Humanos, o perigo de choque é, ou constitui-se em metade das probabilidades aceites e inerentes, em conflito demarcado, a contenda só se resolve, atingindo um impasse doloroso, um estagio de balanço de forças, que em uma das partes, o balanço tenda para ser positivo em detrimento da contra parte, que tenda para ser negativo.

O correcto balanço simétrico de forças, constitui-se por si um impasse, mas não um impasse doloroso, e a simetria de forças, escala o conflito, é da natureza humana, o estágio grotesco, animalesco, de sobrevivência bruta, onde se confunde o "negócio da contenda" com "sobrevivência do individuo", é necessário assim, um impasse doloroso, para que o negócio da contenda signifique a sobrevivência do indivíduo, 

Este fenómeno, ou estágio, é perceptivél no cotidiano, na politica, na economia, nas artes, na vida em sociedade, é parte indissociável do ser humano, a luta pelo poder, pela afirmação e pela supremacia.

Naturalmente a Humanidade está, pela sua própria natureza, condenada ao desequilíbrio de poderes, a luta pela afirmação será eterna e a supremacia do poder estará invariavelmente sempre de um só lado, tanto na esquerda como na direita, ou no sul e no norte, só um usará o ceptro, nunca será divido, e trocará de mãos as vezes que forem necessárias, por supressão do poder vigente, pelo novo poder emergente.

A Humanidade nunca será una e indivisível, como a natureza onde se insere o é, a Humanidade vive com a espada de Damocles suspensa por um fio sobre a sua cabeça, simbolizando a insegurança, e entre a espada de Salomão, representando a justa divisão da propriedade, mas matando-a, não servindo a ninguém.

Existem dois mundos no mundo, e a luta Humana está longe de terminar pelo poder, pela afirmação e pela supremacia.


Valter Marques


E agora ratos de laboratório?

 Aos poucos a fraude da Covid 19, vem sendo desmascarada, de uma patologia extremamente mortal, ao resumo do criminoso acto da vacinação, a ...