A inflação é a evolução natural da economia, sem inflação, em nenhuma economia se poderia justificar o aumento dos rendimentos, especialmente os provenientes do trabalho.
Keynes denominava a inflação em dois modos distintos, a inflação natural, a que resulta da evolução da economia, dos preços e dos rendimentos, e a inflação forçada ou anormal, a que resulta das imprevisíveis consequências dos mercados externos e internos, das politicas económicas e das catástrofes naturais ou humanas.
A deflação, é o resultado da inflação natural ou inflação forçada versus os rendimentos, e torna se deflacionaria a inflação se o resultado dos rendimentos (a sua subida) for superior á da inflação, o rendimento disponível na sociedade, se sofrer um aumento superior ao da inflação, provoca de forma natural, a deflação do custo de vida, por conseguinte, com um rendimento disponível superior ao aumento inflacionário, a sociedade adquire, com um menor custo (menor impacto no rendimento) o mesmo que adquiria anteriormente.
Agora o problema moderno, a estagflação, este fenómeno dá-se a conhecer no período de 1930 e o descalabro económico que os EUA se viram inseridos, com a quebra (crash) das bolsas, e a dependência do mercado especulativo financeiro que vivia, os americanos provaram que viver sob especulação financeira, em detrimento de viver sob a batuta dos bens transacionáveis é mortífero.
A estagflação é o fenómeno económico, onde se verifica uma quase completa incapacidade de produção e e industrialização de bens de consumo, quer alimentares, quer industria pesada e ligeira, a lei de mercado, por natureza, regula os preços, se a oferta suplanta a procura, os preços dos produtos tendem a baixar, se a procura é superior há oferta, tendencionalmente os preços dos produtos sobem,
Agora, o problema da estagflação, ou do seu aparecimento na vida, é bastante simples de observar, e até de prever, quando a procura existe mas não existe produto, ou existe em raras ocasiões, o seu preço dispara, não é preocupante se afectar um producto ou até um conjunto de productos, mesmo incluindo alguns deles, como bens essenciais, mas o que a estagflação diz e reflete na sociedade, é a completa incapacidade de produção e industrialização, de bens transacionáveis.
Mas não só, a estagflação entra em cena também, quando os stocks de produtos necessários para a manufactura industrial se esgota, impossibilitando a producção, quando o sector primário da economia, é manifestamente insuficiente, para suprimir o consumo interno, e não existe a real possibilidade de ser adquirida externamente.
A estagflação é sinónimo da não existência de economia, não existe economia, o país ou o estado chegou ao ponto de ruptura, a inflação deixa de ter qualquer influência na vida da sociedade, simplesmente porque, não existem bens disponíveis, fomenta o aumento brutal do desemprego e a consequente redução brutal dos rendimentos disponíveis, tornando a inflação, ainda que brutal, inócua e irrelevante na sociedade, mesmo com rendimento disponível e suficiente para sobreviver, não existem bens de consumo em suficiência, tornando o dinheiro um bem superficial, sem valor.
A economia ocidental assenta na miscelânea económica de bens transacionáveis e bens não transacionáveis, e tanto EUA e a Europa caminham a passos largos para uma nova estagnação, desindustrializaram-se, desinvestiram nos sectores primários, especialmente a Europa, com as novas politicas que se basearam na confiança inter pares, passaram de economias baseadas na produção e industrialização, para ávidos consumidores externos, sem politicas capazes de garantir a sustentabilidade interna.
A dependência de um cidadão de um terceiro para sobreviver, termina a sobrevivência do cidadão quando o terceiro não puder satisfazer as necessidades do cidadão, esse mesmo cidadão dependente vê assim a sua sobrevivência terminada, é simples.
Por conseguinte, a inflação, nas suas diversas fases e formas, depende primeiro, da economia interna e das politicas internas, e depois das politicas externas, a inflação é uma constante da vida económica de um país, é (pode) ser simplesmente natural, a evolução da economia e do mercado, e existem uma miríade de ferramentas e formas de controlar, aumentar ou deflacionar a inflação, desde que a soberania interna esteja assegurada, um país que dependa de politicas externas, como Portugal e a relação com a UE, não têm possibilidade de uma forma interna, se regular e corrigir o fenómeno, e as medidas impostas, podem ser nefastas, difíceis e até desnecessárias, porque, a visão é larga, imperialista, e não interna e nacionalista.
Valter Marques
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